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Caligrama-Revista de Estudos Romanicos

Publisher:
—
ISSN:
0103-2178
Category:
LITERATURE, ROMANCE
Impact factor:
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Latest articles

Apagamento do segmento /r/ em coda silábica na fala de Curralinho-PA

2026-03-30

Pryscélia Pantoja de Paula, Benedita Maria do Socorro Campos de Sousa

Este artigo objetiva investigar o apagamento do segmento /r/ em coda silábica, tanto em posição medial quanto final de vocábulo, no português falado na cidade de Curralinho, localizada na Ilha do Marajó, estado do Pará. Fundamentando-se nos pressupostos da Sociolinguística Variacionista, foram analisadas 4.279 ocorrências do /r/ em coda silábica, obtidas por meio de entrevistas com 12 informantes, distribuídos de acordo com sexo, idade e escolaridade. Os dados foram transcritos, codificados e analisados com o auxílio do software estatístico GoldVarb X . Os resultados evidenciam que o fenômeno se manifesta em 54% das ocorrências, apresentando maior frequência em verbos no infinitivo, em posição final e entre falantes do sexo feminino. Além disso, a variação mostrou-se estável, não estigmatizada e condicionada por fatores fonológicos, morfossintáticos e sociais. Observou-se, de modo particular, que a omissão do /r/ em coda final, sobretudo em verbos no infinitivo, decorre da redundância morfológica e da fragilidade articulatória dessa posição. Desse modo, a análise realizada permite constatar a existência de um padrão fonológico socialmente legitimado, o qual se integra à identidade linguística local. Nesse sentido, o estudo contribui para o mapeamento das variedades do português falado na Amazônia e ressalta a relevância de documentar fenômenos linguísticos pouco explorados em regiões periféricas, ampliando assim a compreensão da diversidade sociolinguística do português brasileiro.

Sonidos criollos

2026-03-30

María Celina Ortale

El artículo ofrece un acercamiento a la configuración de los sonidos criollos en la Argentina, en la zona del Río de La Plata. Se concentra en enfocar el proceso de literaturización de las voces plebeyas a través del género gauchesco y de analizar las marcas fónicas que determinan la percepción de diferencias sociolectales entre el espacio urbano y el rural en el siglo XIX en la zona bonaerense. Además, se ocupa de recorrer las distintas etapas de manipulación de estas marcas, entre la que se destaca la sinéresis con desplazamiento acentual, en el proceso escritural del Martín Fierro de José Hernández. Para el estudio de la sinéresis se incorporan los primeros análisis que ofrecen J. Page y G. Máspero como receptores extranjeros de esta particularidad fonética, hasta los de E. Tiscornia, A. Alonso, B. Malberg, Ma. Beatriz Fontanella y Élida Lois.

O preenchimento do sujeito pronominal de terceira pessoa em peças teatrais catarinenses como reflexo de competição de gramáticas do português nos séculos XIX e XX

2026-03-30

Iris Fonceca, Marco Martins

Neste artigo, investigamos e analisamos a realização de sujeitos pronominais de terceira pessoa em peças teatrais pertencentes aos corpora escritos do PHPB-SC, a partir do modelo de competição de gramáticas e inspirados pelo extenso trabalho de Maria Eugênia Lammoglia Duarte. Nossa hipótese é de que as peças teatrais escritas em SC nos séculos XIX e XX irão apresentar competição entre duas gramáticas, uma conservadora, adquirida através da escrita (português europeu) e uma inovadora (português brasileiro). O corpus é composto por 6 peças teatrais escritas por autores catarinenses nascidos entre os séculos XIX e XX, são elas: Raimundo (1986), de Álvaro de Carvalho; Quem desdenha quer comprar (1986), Lacerda Coutinho; A estória (1990) e Os lobos (1992), escritas por Ademir Rosa; Flores de inverno (1992) e As quatro estações (1998), ambas de Antônio Cunha. Os resultados sugerem que Álvaro de Carvalho e Lacerda Coutinho, autores nascidos no século XIX, têm uma gramática de sujeitos nulos do português europeu, apesar de já apresentarem dados de realização característicos do português brasileiro, enquanto Antônio Cunha, nascido na segunda metade do século XX, apresenta mais construções com realização do sujeito pronominal de terceira pessoa, em uma gramática característica do PB.

A categoria de gênero nas gramáticas de língua portuguesa publicadas no Brasil

2026-03-30

Roberto Mulinacci

Apesar de o gênero ser visto hoje em dia principalmente, pelo menos no debate público, como uma construção social (e não por acaso, para dar conta dessa relevância do gênero na definição de uma identidade, individual e coletiva, se fala frequentemente em “social gender”), as questões de gênero continuam, porém, repercutindo cada vez mais também na noção de gênero entendido como categoria gramatical, cujo inesperado ressurgimento nos estudos linguísticos atuais tem muito a ver exatamente com a nova e desejada centralidade da mulher na sociedade contemporânea. Partindo dessa premissa, o presente artigo visa a reconstruir o tratamento dado ao gênero nas gramáticas de língua portuguesa publicadas no Brasil entre o final do séc. XIX e o final do séc. XX, com o intuito de verificar se, ao longo desse tempo, a evolução social do país, nos termos do papel desempenhado pelas mulheres na vida pública e no mercado do trabalho, tem sido acompanhada inclusive por uma renovada consciência metalinguística da complexidade dessa categoria.

Sebastião Uchoa Leite

2025-09-04

Leonardo Leal

Partindo de uma reflexão inicial sobre alguns dos traços mais significativos da poética de Sebastião Uchoa Leite, ancorados em procedimentos desmetaforizantes, humorados e irônicos, este artigo volta-se à obra do autor para investigar como a sua poesia, desconfiada e apartada de certa torrente de emoção lírica, relaciona-se às figurações da doença e da corrosão corporal, em especial nas obras A uma espreita (2000) e A regra secreta (2002). Para tal, o artigo se vale de interpretações minuciosas de poemas em que a experiência-limite do adoecimento desponta com maior profundidade e de modo mais sorrateiro, vertiginoso e autoinvestigativo. Por fim, analisa-se o poema de 1995 “Minha (anti)boêmia”, texto publicado de forma inédita na revista Ouriço (2021), demonstrando como os mecanismos de investigação de si sugerem, para o poeta, a afirmação da vida e a manutenção da lucidez.

Refrações no tempo literário, na ficção de Maria José de Queiroz

2025-09-04

Ana Cecília Maria Estellita Lins

Neste artigo examina-se parte da obra de Maria José de Queiroz, com enfoque nos diversos modos de manifestação do tempo. Selecionaram-se os romances Homem de sete partidas (Queiroz, 1980) e Sobre os rios que vão (Queiroz, 1990), a novela “O julgamento”, que consta do livro Amor cruel, amor vingador (Queiroz, 1996a), e o livro infanto-juvenil O chapéu encantado (Queiroz, 1998), para identificar o tratamento dado nessas ficções às questões temporais. Utiliza-se como suporte teórico o ensaio Refrações no tempo (Queiroz, 1996b), da mesma autora, assim como textos de Roland Barthes (1987), Alfonso Martin Jiménez (1989), Edward Morgan Forster (2005), Jacques Derrida (2012) e Chris Sinha e Enrique Bernárdez (2015). Conclui-se que o estilo de Queiroz apresenta características linguísticas, semânticas e histórico-culturais relacionadas ao tratamento do tempo que contribuem para gerar efeitos dramáticos.

O grotesco e o excessivo em Meu destino é pecar

2025-09-04

Adriano de Paula Rabelo

Nelson Rodrigues é reconhecido pela exploração de aspectos psicológicos, míticos e sociais de seus personagens, que costumam não conseguir controlar seus afetos e pulsões. Isso resulta muitas vezes em atitudes, discursos, comportamentos e mesmo aparências físicas marcadas pelo grotesco e o excessivo. Tais características, que estão no cerne de sua estética, celebrizaram-no como dramaturgo, romancista e contista. Nos seus folhetins, no entanto, o escritor leva o grotesco e o excessivo ao paroxismo, mantendo a tensão da narrativa sempre no limite máximo até o desfecho apaziguador, típico do gênero. Este artigo focaliza o primeiro folhetim de Nelson, mostrando suas peculiaridades e sua coerência com as concepções literárias do autor.

Permanência semântica entre áudio original e legenda

2025-04-30

Mariana Mota Silva Souza, Maucha Andrade Gamonal, Adriana Silvina Pagano

Com base na Semântica de Frames (Fillmore, 1982) e no Modelo da Primazia do Frame (Czulo, 2013), este estudo realiza uma análise multimodal das sentenças transcritas do áudio original em português, das legendas em inglês e das imagens correspondentes aos seis primeiros minutos do curta-metragem brasileiro Eu não quero voltar sozinho, de Daniel Ribeiro. A pesquisa objetiva investigar a similaridade semântica entre os frames evocados nas sentenças equivalentes, avaliar as escolhas tradutórias e analisar as relações semânticas estabelecidas entre texto e imagem. Adota a metodologia da FrameNet Brasil para anotações semânticas multimodais na plataforma Webtool, e a similaridade semântica entre frames é calculada por meio do algoritmo de spread activation e da métrica de similaridade de cossenos soft. As medidas organizam as sentenças em similaridade nula, parcial ou total, conforme a proposta de Samagaio (2023). As estratégias tradutórias de legendagem são analisadas conforme Díaz-Cintas e Remael (2021) e avaliadas quanto às relações semânticas entre texto e imagem. Os resultados evidenciam que as estratégias de tradução empregadas alteram a evocação de frames nas línguas analisadas, impactando a similaridade semântica entre sentenças. Este estudo contribui para o campo da tradução audiovisual e da Semântica de Frames, ao explorar a construção de sentido em objetos multimodais e demonstrar como estratégias tradutórias influenciam na relação entre texto, imagem e frames evocados.

Uma casa não é um lar

2025-04-30

Laís Marx Umpierre, Luísa Freire

O presente trabalho almejou examinar quatro elementos do espaço físico de Madame Bovary pelo viés do afeto e do espaço psicológico das personagens, analisando o espaço a partir de Bachelard e Weisgerber e os coloridos do discurso do narrador e de Emma Bovary com base em Bakhtin. Dessa forma, demonstrou-se como a visão dos personagens influencia o discurso do narrador na descrição dos locais estudados, são eles: (i) a casa de Tostes, (ii) o castelo de La Vaubyessard, (iii) a casa de Yonville; e, por fim, (iv) o quarto no Hôtel de Boulogne. Percebeu-se essas interferências pelas emoções da protagonista refletidas nas escolhas lexicais do narrador, dentre as quais se focou, sobretudo, na dicotomia casa/lar (sa/ma maison e chez elle/chez nous). Assim, concluiu-se que a forma através da qual os ambientes são descritos no romance é permeada pelos sentimentos e percepções das personagens, especialmente de Emma Bovary.