← Back to Journals

Revista Pistis & Praxis-Teologia e Pastoral

Publisher:
—
ISSN:
1984-3755
Category:
RELIGION
Impact factor:
0

Feed status

5 parsed articles

Last update: Not fetched

Latest articles

Feliz quem teme o Senhor: Uma exegese do Sl 128

2026-03-17

José Ancelmo Santos Dantas

O Salmo 128, um dos Cânticos das Subidas, traz uma reflexão profunda sobre a felicidade e a bênção que acompanham aqueles que temem ao Senhor. Como um poema sapiencial, ele destaca a importância da vida familiar e do trabalho, mostrando-os como caminhos que levam à prosperidade e à paz. A felicidade (אַשְׁרֵי) é associada ao temor (יִרְאָה) ao Senhor e se manifesta em diversas áreas da vida, desde o esforço no trabalho até o ambiente familiar. Nessa perspectiva, a esposa é comparada a uma videira frutífera, e os filhos, a rebentos de oliveira, imagens que evocam fertilidade, continuidade e bênção. O poema se vale de elementos da natureza para transmitir sua mensagem, enfatizando que a bênção divina não se restringe ao indivíduo, mas se estende à comunidade, conectando a prosperidade familiar ao bem-estar de Sião e de Jerusalém. A proximidade com outros textos sapienciais reforça seu caráter pedagógico, tornando-o quase um catecismo sobre a vida em família. Apesar de sua estrutura nem sempre ser tão clara em termos metodológicos, a mensagem do Salmo 128 continua atual. Ele ressalta que a verdadeira felicidade nasce do temor ao Senhor e da vivência dos seus ensinamentos. Mais do que um texto antigo, esse salmo pode ser visto como um convite à peregrinação espiritual, onde o caminho em direção a Jerusalém simboliza a busca por uma vida plena e abençoada.

Sensus fidei, sinais dos tempos, sinodalidade: mediações da metodologia sinodal

2026-03-06

Carlos Henrique Santos, Edimundo Almeida dos Santos, Eliara Marli Rosa, José Gleyer dos Santos Vanti, Agemir Bavaresco

O artigo apresenta os resultados de um seminário intensivo em Teologia cujo tema foi a articulação entre sensus fidei , sinais dos tempos e sinodalidade, em diálogo com a chave de leitura da Evangelii Gaudium e com o princípio advaita de Raimon Panikkar. O problema que orienta a reflexão pergunta de que modo a experiência de fé do povo de Deus, lida à luz dos sinais históricos, pode tornar-se critério epistêmico e caminho prático para uma Igreja sinodal em saída. O objetivo é explicitar esse método teológico-pastoral interdisciplinar, indicando suas mediações eclesiais e sociais. Os principais referenciais são o documento O sensus fidei na vida da Igreja , a Gaudium et Spes , a Evangelii Gaudium , o Documento Final do Sínodo sobre a sinodalidade e a teologia cosmoteândrica de Panikkar. Metodologicamente, o artigo combina a leitura desses textos com a prática de um micro-sínodo em sala de aula, a releitura do ver–discernir–agir à luz da pobreza estrutural e a análise de um laboratório pastoral: o processo das Santas Missões Populares na Arquidiocese de Feira de Santana. A exposição organiza-se em cinco itens: (1) sensus fidei como ponto de partida do método sinodal; (2) sinais dos tempos como lugar teológico; (3) sinodalidade como estrutura, processo e discernimento comunitário; (4) princípios metodológicos da Evangelii Gaudium ; (5) princípio advaita como fundamento ontológico do método. Como resultado, mostra-se que a experiência formativa pode tornar-se espaço de pesquisa aplicada, em que teoria e prática se retroalimentam e a sinodalidade se afirma como método espiritual de conhecimento e de renovação pastoral.

Jesus/‘Īsā, profeta e místico do islã

2026-03-06

Angela Lano, Valmor Da Silva

Analisa a figura de Jesus no islã e, especificamente, no sufismo. No Alcorão e no islã em geral, Jesus é visto como um profeta e mensageiro de Allah, com suas características principais como nascimento milagroso, ditos e ações, ascensão ao céu e retorno escatológico. Já no sufismo, que é a dimensão mística do islã, Jesus é também reconhecido como profeta, no seu exterior, mas, no interior, ele é um místico, modelo de homem perfeito, manifestação do Espírito e selo de santidade. Ele é um proto-sufi, mestre exemplar, modelo de pobreza e ascetismo, guia do caminho. Embora não seja reconhecido como Filho de Deus e Salvador, o Jesus muçulmano é inspirado também nas fontes cristãs canônicas e apócrifas. Com o objetivo de conhecer melhor o Jesus do islã, o artigo expõe traços comuns e aspectos diferenciais entre as fontes cristãs e as fontes muçulmanas. O método segue a análise das fontes, bem como da literatura específica sobre o assunto. Dessa análise resulta o destaque dado à figura de Jesus nas duas grandes religiões da humanidade, cristianismo e islã.

Um olhar sobre os trechos complementares à Declaração Nostra Aetate em outros documentos conciliares

2026-02-26

Frank Usarski, Rodrigo Wolff Apolloni

Este artigo estabelece vínculos de significado entre o conteúdo de um documento conciliar chave para as relações da Igreja com as religiões não cristãs — a “Declaração sobre as Relações da Igreja com as Religiões Não-Cristãs” Nostra Aetate — e os conteúdos de outros documentos exarados pelo Concílio Vaticano II. O foco é a percepção de trechos complementares à mensagem e à orientação dadas pela Nostra Aetate . Trechos focados no respeito às crenças como elemento da dignidade humana, no valor do diálogo inter-religioso, na importância do conhecimento de outras culturas/religiões em uma perspectiva missionária, na percepção dos elementos salvíficos encontrados em religiões fora da Igreja, no potencial de salvação presente em todos os seres humanos, no olhar diferenciado e inclusivo para o Judaísmo e para o Islamismo — e na afirmação da Igreja como “caminho último”, lógico e definitivo, para a salvação.

Ecoteologia como Esperança para a Criação: uma leitura teológica da crise ecológica a partir de Moltmann e Boff

2026-02-26

Tainan Araújo Saar, Pablo Fernando Dumer

Este artigo investiga as contribuições de Jürgen Moltmann e Leonardo Boff para a formulação de uma ecoteologia contemporânea. O problema que orienta a pesquisa é a crise ecológica global, compreendida não apenas como desafio ambiental, mas como expressão de uma ruptura teológica e civilizatória entre humanidade, Deus e Criação. O objetivo consiste em analisar como a teologia da criação, reinterpretada a partir de Moltmann e Boff, oferece fundamentos éticos, espirituais e epistemológicos para a superação do paradigma moderno de dominação e instrumentalização da natureza. A metodologia empregada é bibliográfica e hermenêutica, com análise crítica de textos teológicos centrais dos dois autores, articulados à reflexão contemporânea sobre ecologia e espiritualidade. Os resultados apontam que a ecoteologia, ao recuperar o sentido teológico da Criação e a ética do cuidado, propõe um novo paradigma de relação entre ser humano e mundo, que vai além de uma resposta ética à crise ambiental. Ela se configura como espiritualidade integral e como epistemologia alternativa, capaz de romper com o reducionismo moderno e oferecer uma via de “reencantamento” do mundo, orientada pela interdependência, pela dignidade da vida e pela esperança escatológica.