← Back to Journals

Historia e Cultura

Publisher:
—
ISSN:
2238-6270
Category:
HISTORY
Impact factor:
0.1

Feed status

12 parsed articles

Last update: Not fetched

Latest articles

HISTORIOGRAFIA DO CRIME E DA VIOLÊNCIA NO PARANÁ:

2026-01-06

Lucas Kosinski, Hélio Sochodolak, Clóvis Gruner

Este artigo apresenta um balanço da produção historiográfica sobre o crime e a violência física no Paraná de 1985 até 2025. A pesquisa baseou-se na análise de dissertações e teses de universidades paranaenses e de outras instituições brasileiras que abordam direta ou indiretamente o tema. Os trabalhos foram sistematizados em ordem cronológica, permitindo identificar tendências, abordagens e lacunas. A síntese revelou padrões temáticos e metodológicos sobre o estado atual desses estudos, contribuindo para mapear o seu desenvolvimento e possibilidades futuras.

Literatura em Serra Leoa nos séculos XX e XXI:

2026-01-06

Rafael Barbosa de Jesus Santana

A presente entrevista foi realizada presencialmente com a professora da Universidade da Serra Leoa (USL), Elizabeth Lucy Alberta Kamara, sendo um dos resultados da mobilidade acadêmica/pesquisa de campo realizada em Freetown pelo pesquisador Rafael B. J. Santana. O encontro com Kamara ocorreu em dezembro de 2024 e só foi possível pelo apoio financeiro prestado pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS). A entrevista foi conduzida a partir de tópicos como gerações de literatas serra-leonenses, agendas temáticas, relação entre economia, sociedade, história e literatura, etc. As contribuições da educadora, poetisa e pesquisadora entrevistada nos abrem caminhos para futuros trabalhos acadêmicos que enfoquem suas análises na literatura da Serra Leoa, campo ainda pouco estudado na área da História no Brasil.

HISTÓRIA ÚNICA E SILENCIAMENTO NOS DISCURSOS SOBRE A HISTÓRIA DE TARRAFAS-CE

2026-01-06

Wesley Guilherme Idelfoncio de Vasconcelos, Sandra Maia-Vasconcelos, Claudia Rejanne Pinheiro Grangeiro

Este trabalho discute como é contada a história do município de Tarrafas-Ceará. Que foi contada de uma forma essencialmente baseada na oralidade e quem a pesquisou possuía uma dupla legitimidade, de intelectual e de político, e fez com que esta se tornasse a única narrativa possível, silenciando qualquer outra. Visamos entrelaçar os conceitos de História Única, debatido por Chimamanda Ngozi Adichie (2019), política do silêncio ou silenciamento, cunhado por Eni Orlandi (2007) e o de acontecimento e ciência-régia, discutido por Michel Pêcheux (2006), para discutir esse processo de apagamento e dos riscos das histórias únicas para a formação da identidade de um município através dos discursos circulantes sobre a fundação de Tarrafas, partindo da obra escrita por Vasconcelos (2022).

KITCHEN OR CUISINE?

2026-01-06

Isis Fonseca Sá, Thaina Schwan Karls

Este artigo analisa de forma comparada dois livros de receitas considerados relevantes em seus países: Le Cuisinier Impérial, publicado na França em 1806 e  Cozinheiro Imperial , publicado no Brasil em 1840. Procuramos investigar as possíveis relações e a influência do compêndio europeu sobre o nacional. Pesquisas anteriores afirmam que as preparações contidas na obra brasileira foram copiadas de tratados de cozinha portuguesa. No entanto, é consenso entre a historiografia brasileira que no século XIX, o Brasil almejava se distanciar da antiga metrópole e se aproximar do ideal francês, considerado modelo de civilidade e refinamento, inclusive nos hábitos alimentares e modos à mesa. Ao examinarmos as estruturas dos impressos e os enunciados das receitas, constatamos que a publicação francesa pode ter sido mais uma fonte de “inspiração” para a brasileira.

PERCEPÇÕES DO POSITIVISMO NOS ESCRITOS CRÍTICOS DE RAMALHO ORTIGÃO E GONZAGA DUQUE

2026-01-06

Thiago Herdy

O artigo analisa a recepção do positivismo nas críticas de arte de Ramalho Ortigão e Gonzaga Duque, dois intelectuais lusófonos do século XIX. Ambos autores demonstram como o positivismo foi uma solução ideológica para interpretar suas realidades sociais, revelando a influência dessa corrente filosófica em suas críticas artísticas e sociais, apesar da ausência de uma influência direta entre eles. O fenômeno do positivismo também é analisado sob a perspectiva das classes médias em ambos os contextos, ligando-se ao desenvolvimento cultural e à formação da sociedade capitalista na Europa e no Brasil.

A TRAJETÓRIA DO CUXÁ NO MARANHÃO NOS SÉCULOS XIX E XX:

2026-01-06

Liliane Faria Corrêa Pinto, Letícia Thalia Sousa de Souza

O artigo explora a trajetória do cuxá, um prato típico do Maranhão, como expressão cultural e patrimonial. Analisa a planta Hibiscus sabdariffa , conhecida como vinagreira, sua origem e uso histórico, e discute como o prato “arroz de cuxá” era consumido na boemia ludovicense no século XIX. No século XX, o cuxá ganhou novos significados, tornando-se símbolo da identidade cultural maranhense e do turismo gastronômico. A partir de fontes periódicas, textos históricos, poemas e crônicas nos jornais revelam a evolução das narrativas em torno do prato, de suas ligações com o contexto noturno à sua ressignificação como comida afetiva e patrimônio alimentar. Atualmente, o cuxá é uma representação cultural do Maranhão, simbolizando tanto a memória coletiva quanto a diversidade alimentar nacional.

ENTRE AUSÊNCIAS E ESPECTROS:

2026-01-06

Marcelo Fidelis Kockel

O presente artigo propõe uma reflexão sobre a escrita da história no mundo contemporâneo a partir de um exercício de fecundação da literatura de Hisham Matar. A análise se apoia nos conceitos de “passados singulares”, formulado pelo historiador italiano Enzo Traverso, e de “eu metódico”, cunhado pelo o francês Ivan Jablonka – ambos destacando a inserção da subjetividade do pesquisador num texto historiográfico. Paralelamente, busca-se explorar as relações entre ficção, literatura, história e eventos traumáticos, na perspectiva de Jablonka, LaCapra e Hayden White. Por fim, pretende-se refletir sobre o conceito de tempo, demonstrando como a autoficção de Matar abre espaço para se pensar numa temporalidade espectral, ausente-presente, como alternativa ao modelo linear e sucessivo, hegemônico durante o período moderno.

POR TRÁS DA MÁSCARA PACÍFICA DO REGIME:

2026-01-06

Rubens Corgozinho

O presente trabalho parte de uma leitura da produção inicial de Rubem Fonseca, ao longo dos anos de 1960. Apesar de os livros do período não se caracterizarem pelo “brutalismo” que seria atribuído ao autor na década seguinte, é possível observar que já nesse momento as narrativas lidam com a realidade marginal e, frequentemente, violenta do contexto urbano brasileiro. Essas narrativas, em oposição à atmosfera pacífica e de cordialidade coletiva afirmada pelos meios de comunicação do Regime Militar, apresentam a face oculta ou ao menos indesejável da sociedade de então, em que as classes dominantes, as instituições de segurança pública e os indivíduos marginais se aproximam pela transgressão insistente dos valores fomentados pelo discurso governista. A análise parte sobretudo dos contos “A coleira do cão” e “O caso de F.A.”, utilizando também textos que dão conta do momento político vivido à época.

EU ME VEJO INDO ATÉ O BOSQUE E DEIXANDO O CARRINHO IR LADEIRA ABAIXO

2026-01-06

Flávia Theis Junges, Fabiane Pacheco da Cunha, Janaína dos Santos Puchalski

O artigo propõe uma leitura crítica do romance Morra, amor , de Ariana Harwicz, a partir do diálogo com a historiografia e a teoria social sobre a normatização dos corpos femininos. A narrativa, marcada por um fluxo de consciência caótico e sensorial, apresenta uma personagem materna que desafia os modelos tradicionais de maternidade. Com base em Badinter (1985), analisam-se os dispositivos históricos que naturalizaram o papel da mãe como centro moral da família. A obra evidencia uma maternidade vivida com angústia, hostilidade e desejo de ruptura, refletindo os efeitos subjetivos das imposições sociais. A personagem não representa uma anomalia, mas sim o sintoma de um modelo que oprime e silencia. Sua recusa em performar o ideal materno é lida como um gesto de subversão, trazendo a importância de se desnaturalizar a maternidade e escutar experiências que rompem com o mito da mãe ideal.

"Mas um dia afinal eu toparei comigo"

2026-01-06

Maria Eduarda Sampaio Alves

Este artigo propõe uma releitura da poesia de Mário de Andrade à luz de tendências acadêmicas e culturais do século XXI. No cenário dos novos estudos sobre o modernismo brasileiro, analisamos interpretações que destacam aspectos antes negligenciados na compreensão de Mário, particularmente sua racialidade e sexualidade. A partir do trabalho de Roland Bleiker (2009), questionamos a visão tradicional que enxerga o autor como um poeta apolítico, propondo, em vez disso, uma leitura que evidencie seu potencial engajamento com questões identitárias. Ao destacar essas dimensões antes negligenciadas, argumentamos que tais perspectivas não apenas renovam a compreensão de sua obra, mas também reforçam sua ressonância em discussões atuais.

“A CAMPANHA MOSTROU QUEM ESTAVA DE PALHAÇADA”:

2026-01-06

Higor Rafael de Sousa Aguiar, Claudia Cristina da Silva Fontineles

Este artigo objetiva analisar o debate em torno da presença de humoristas nas propagandas eleitorais dos candidatos a prefeito de Teresina nas eleições municipais de 2012. As campanhas de Firmino Filho (PSDB) e Elmano Férrer (PTB) contrataram humoristas consagrados no estado do Piauí, o que gerou discussões entre opositores e parte da imprensa, sobretudo acerca de questões como: o humor foi utilizado para mascarar a falta de ideias e propostas ou foi apenas uma estratégia para atrair a atenção do público? Com esse fim, dialoga-se com fontes hemerográficas como os jornais O Dia e Meio Norte, disponíveis no Arquivo Público do Piauí. Para a fundamentação teórica e metodológica, recorremos a autores como Bernard Manin e Antônio Rubim para discutir as transformações no processo eleitoral na chamada "democracia do público", com ênfase no papel da mídia. Através da análise dessa experiência, visa-se contribuir para o estudo das eleições e do processo democrático brasileiro.

O MANTO TUPINAMBÁ:

2026-01-06

Tamara Juriatti, Juliana Avila Pereira, Guilherme Susin Sirtoli

O artigo analisa a ressignificação do Manto Tupinambá na arte indígena contemporânea, enfatizando sua relevância cultural e histórica. A partir da obra de Glicéria Tupinambá, discute a recuperação de saberes ancestrais e a confecção de novos mantos como símbolo da luta pela demarcação de terras e preservação cultural. Examina a trajetória da peça, desde sua apropriação colonial até seu retorno ao Brasil, ressaltando suas implicações sociais e espirituais. A arte indígena contemporânea emerge como resistência política, desafiando narrativas hegemônicas. Além disso, destaca-se a conexão entre arte, preservação ambiental e luta territorial, reforçando a necessidade de reparações e reconhecimento dos direitos dos povos originários no Brasil atual.