2025-12-22
Eduardo Rueda Neto, Gilvan Leite de Araujo
Este artigo oferece uma análise exegético-teológica do Salmo 8, explorando suas características literárias e a interconexão entre Deus, o cosmos e o ser humano. O poema convida à reflexão, conduzindo o leitor ao entendimento de sua própria identidade, seu lugar no universo e sua relação com o Criador. Além de destacar a majestade divina, o salmo sublinha a dignidade conferida aos humanos, a qual envolve responsabilidade moral e ecológica como mordomos da criação. Com base nos elementos articulados no texto bíblico, conclui-se que a plena harmonia entre Deus, o mundo e a humanidade é um fato escatológico, que se realiza em Cristo, por meio de quem o projeto original da criação será plenamente consumado. PALAVRAS-CHAVE: Salmo 8. Deus. Cosmos. Ser humano. Ecologia.
2025-12-22
Andre Bressane
Não se limitando ao seu caráter histórico, The Way to Nicea de Bernard Lonergan oferece uma profunda compreensão do desenvolvimento do dogma trinitário. Este artigo apresenta uma leitura metodológica, demonstrando como a articulação do homoousios no Concílio de Niceia (325 d.C.) significa uma mudança crucial da consciência simbólica para a especulativa. Através das operações da consciência intencional proposta por Lonergan — experienciar, compreender, julgar e decidir — traçamos a transcendência dialética das primeiras posições teológicas. A “regra” hermenêutica de Atanásio é apresentada como uma instância concreta desse avanço epistemológico. Além disso, baseando-nos nas especialidades funcionais de Lonergan, argumentamos que o autêntico desenvolvimento dogmático, exemplificado pela fórmula nicena, necessita de uma autoapropriação crítica do sujeito. Longe de concluir a investigação teológica, Niceia inaugura uma busca dinâmica e inacabada por compreensão, impulsionada pelo amor. Palavras-chave: Lonergan. Homoousius. Trindade. Evolução dogmática.
2025-12-22
Elias Fernandes Pinto
Este artigo analisa a teologia da Graça a partir da reflexão de maturidade de J. L. Segundo, com o intuito de resgatar o primado da Graça – o Espírito Santo – dom originário de Deus ao ser humano. Por meio de uma revisão histórico-teológica, mostraremos a inversão ocorrida no Ocidente, que priorizou a graça criada em detrimento da Graça incriada. Evidenciaremos os equívocos e riscos dessa inversão e a necessidade de superá-la. Em seguida, indicaremos que J. L. Segundo, inspirado na teologia joanina e no Concílio Vaticano II, compreende a Graça como presença do Espírito Santo que habita e estrutura a liberdade humana, tornando-a capaz de amar e colaborar no projeto divino de humanização, salvação do ser humano. A proposta aponta para uma compreensão relacional e dinâmica da Graça, que visa superar concepções juridicistas e coisificadas da mesma, com implicações significativas para a antropologia teológica e para a vivência cristã contemporânea. Palavras-chave: Graça. Espírito Santo. Humanização integral. Juan Luis Segundo.
2025-12-22
Jonas Samudio
Recensão do livro: PINTO, Carlos Rafael. Carolina Maria de Jesus: contribuições para uma teologia negra decolonial. Rio de Janeiro: Contra o Vento, 2025, 280 p. ISBN: 9786553190313.
2025-12-22
Cleverton Duarte Epormucena
udaísmo pós-destruição do segundo Templo, tem sido frequentemente associado à introdução da Birkat ha-Minim “Bênção sobre os hereges” como um mecanismo que visou excluir cristãos das sinagogas. Pesquisas recentes questionam essa narrativa. Embora alguns estudiosos defendam que a bênção representou uma medida deliberada contra os seguidores de Jesus, outros acadêmicos contemporâneos argumentam que o termo “minim” tinha um significado muito mais amplo. Já no que diz respeito à separação entre judaísmo e cristianismo, foi um processo complexo, influenciado por vários fatores teológicos e políticos, como as revoltas judaicas e as construções identitárias mútuas. Algumas referências no evangelho de João sobre a exclusão das sinagogas refletem tensões locais, não uma política universal. A ruptura definitiva foi consolidada muito depois do período de Jâmnia. Portanto, embora esse concílio tenha sido importante na reorganização do judaísmo rabínico, a ideia de que ele decretou uma “expulsão”1 formal dos cristãos carece de fundamentação histórica sólida. PALAVRAS-CHAVE: Jâmnia. Minim. Sinagogas. Birkat ha-Minim. Ruptura.
2025-12-22
Matheus da Silva Bernardes
Como resposta à doutrina ariana, é convocado um concílio reconhecido, anos depois, como o primeiro dos concílios ecumênicos. B. Sesboüè remarca que o horizonte do Concílio de Niceia (325) marca o passo da “economia” para a “teologia”; embora a motivação soteriológica sempre esteve presente na reflexão, a grande pergunta gira em torno da especulação sobre a própria natureza das Pessoas divinas e sua relação com a salvação. Tal processo é comumente chamado de “helenização” da fé, ou seja, a assunção de categorias próprias do pensamento filosófico helênico – substância, natureza, subsistência e pessoa – passam a guiar a discussão e não a narrativa teológica dos Evangelhos. Contudo, como apresenta L. F. Ladaria citando a F. Ricken, o credo niceno significa a verdadeira “des-helenização” da fé cristã. Este breve texto pretende, desde ampla revisão bibliográfica, sustentar essa posição, indicando, porém, outro processo que deixa marcas ainda mais profundas: a “constatinização” da fé. PALAVRAS-CHAVE: Divindade. Trindade. Salvação. Ministério ordenado.
2025-12-22
Francisco de Aquino Junior
Embora Jon Sobrino não tenha desenvolvido uma soteriologia ou um estudo sistemático e abrangente sobre a salvação cristã, sua obra tem uma explícita e acentuada dimensão soteriológica, particularmente no que se refere à libertação dos pobres e marginalizados. E aqui, precisamente, reside seu aporte mais importante à soteriologia: relação entre salvação e pobres, formulada de modo emblemático, impactante e até escandaloso no axioma extra pauperes nulla salus. Esse estudo procura apresentar a compreensão de salvação que aparece na obra de Sobrino, de modo especial em sua cristologia, centrada (não reduzida!) em sua dimensão histórica e concretizada, de modo particular, como libertação dos pobres e marginalizados. Não é um estudo sobre a cristologia de Sobrino, mas sobre sua compreensão de salvação, desenvolvida sobretudo em sua cristologia. Começaremos mostrando como ele articula e desenvolve a relação entre soteriologia e cristologia para, em seguida, explicitar a relação entre salvação e pobres e sua formulação “fora dos pobres não há salvação”. PALAVRAS-CHAVE: Sobrino. Cristologia. Salvação. Libertação. Pobres.
2025-12-22
Giulio Maspero
O artigo explora a inventio de uma ontologia trinitária por parte dos Padres da Igreja, com especial atenção ao Concílio de Niceia de 325 e aos concílios ecumênicos subsequentes. Essa ontologia trinitária, profundamente enraizada na Revelação Cristã, permitiu superar as aporias da metafísica clássica, em particular no que diz respeito à relação entre o ser divino e o mundo criado, e à natureza da própria relação. Na passagem dos apologistas a Orígenes, através da subsequente crise ariana e da releitura de Atanásio pelos Capadócios, mostra-se a passagem da posição de Ário, para quem o Logos era uma mera criatura cuja existência seria funcional à relação entre substâncias distintas, Deus e o mundo, à introdução de um novo princípio de individuação baseado na relação e delineando uma nova ontologia, adverbial e preposicional, porque relacional. Palavras-chave: Ontologia trinitária. Padres da Igreja. Concílios. Ontologia relacional