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Kriterion-Revista de Filosofia

Publisher:
—
ISSN:
0100-512X
Category:
PHILOSOPHY
Impact factor:
0.2

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Latest articles

A crítica de Merleau-Ponty ao jovem Lefort

2025-12-29

Bruno Victor Parreiras Soares Melo

O presente artigo busca trazer para o leitor brasileiro da obra de Merleau-Ponty e de Lefort um debate até então pouco explorado pela nossa tradição filosófica. Trata-se de um momento importante para a formação filosófica de Lefort, que, ao absorver as críticas que Merleau-Ponty faz à sua formação trotskista-marxista, concebe uma postura crítica à filosofia de Marx. Tal conduta pavimenta o caminho para o momento mais original de sua obra, o qual se delineia na descoberta do político, lugar que marca uma distância tensionada em relação ao marxismo-trotskismo. Propomos apresentar um aspecto importante para o caminho que abre a investigação radical da democracia, que arrasta em sua raiz a crítica à filosofia da história do proletariado. Um dos momentos privilegiados se origina no texto em que Lefort realiza suas críticas a Trotsky, nas quais carece, ainda, segundo a leitura posterior de Merleau-Ponty, de uma perspectiva radical para analisar o fundamento filosófico que subjaz a todo revolucionário marxista, ou seja, a dialética materialista.

Ceticismo e tolerância na modernidade

2025-12-29

Flavio Miguel Oliveira Zimmermann

Estudos sobre o ceticismo moderno nos mostram, desde Richard Popkin, a intensidade da famosa crise cética que permeou todo o período. Preocupações com a tolerância também foram prioridade dos filósofos desse período, como nos mostram, por exemplo, Alan Levine e Rainer Forst. A questão a se verificar é como esses dois conceitos podem se interrelacionar. Neste artigo, farei uma relação entre ceticismo e tolerância na modernidade, mostrando como determinados filósofos céticos ou simpatizantes do ceticismo sustentaram ideias tolerantes. Em seguida, mostrarei que, embora do ceticismo não se siga necessariamente nenhuma noção de tolerância, o cético moderno encontraria problemas epistemológicos ao tentar suspender o juízo entre a tolerância e a intolerância, no que se refere à recepção de ideias de suas adversárias, isto é, ela não poderia suspender o juízo com relação a qualquer opinião recebida, sob o risco de não poder sustentar o seu próprio ceticismo.

O sonho dos cínicos

2025-12-29

Olimar Flores-Júnior

Partindo do livro VI das Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres de Diógenes Laércio e mobilizando outras fontes do corpus cínico, o presente estudo pretende comentar brevemente o modo pelo qual os filósofos cínicos (em particular Diógenes de Sínope) trataram, ainda que de forma episódica e não sistemática, do fenômeno do sonho e de suas apropriações, notadamente em relação com um dos princípios fundamentais atribuído à doutrina, a saber, o ‘uso das representações’ (χρῆσις φαντασιῶν: cf. Epiteto III 24, 67-69).

LAWS FOR REVELATION

2025-12-29

Esteban Diego Ortiz Medina

This research argues that if panpsychism adopts the socalled laws of metaphysics, then it will be better equipped to confront one of its most pressing challenges: the revelation problem. By appealing to the laws of metaphysics, it becomes possible to illuminate the problematic nature of the very assumptions underlying the revelation problem, thereby mitigating the urgency it poses for panpsychism.

Uma palavra sobre a “política de avestruz”

2025-12-29

Léa Silveira

Este artigo examina elementos da crítica que Joel Whitebook e Amy Allen endereçam a Axel Honneth, no que diz respeito ao fato de esse filósofo, ao reivindicar o interesse da Psicanálise para uma teoria crítica da sociedade, ter, ao mesmo tempo, rejeitado o conceito freudiano de pulsão de morte. Argumenta-se que tanto Whitebook – em sua posição intelectual como um freudiano mais ortodoxo – quanto Allen – em sua defesa da Psicanálise kleiniana – perdem de vista a amplitude do conceito de pulsão de morte, talo como este foi proposto por Freud, comprometendo-se, com consequências distintas, com uma caracterização alegadamente hobbesiana de certas teses freudianas sobre a agressividade.

LOGICS, INTERPRETATIONS AND INFORMAL RIGOR

2025-12-23

Edson Bezerra

The development of non-classical logics brought to light the question of their philosophical interpretation. Given a non-classical logic L , what is the informal/philosophical interpretation of its vocabulary? We find in the literature arguments defending that logical systems do not have a canonical philosophical interpretation, so the same logical system L has different philosophical interpretations. Although the thesis that a logic can be philosophically interpreted in different ways is well known, the thesis that a specific philosophical interpretation can be captured by different logics has not been widely explored. In this paper, we argue that if Kreisel’s informal rigor method is adequate to show that formal notions of logical consequence capture informal notions of logical consequence, then a specific philosophical interpretation only corresponds to a unique logic.

“YI HUA” EN EL DISCURSO ACERCA DELA PINTURA DE SHITAO

2025-12-23

RONGQIAO WU

Yi Hua” constituye el concepto clave para comprender el sofisticado sistema estético de Shitao. En este artículo, se pretende desentrañar este concepto mediante la investigación de la concepción del Uno en la filosofía china. Se revelará que, en el budismo, el confucianismo y el taoísmo, el Uno apunta a la fuerza infinita de la vida y refleja la tenaz búsqueda de los antepasados chinos por la inseparabilidad entre el hombre y el entorno ecológico. “Yi Hua” resalta la unidad entre las obras humanas y la naturaleza, requiriendo que cada imagen encierre el espíritu vital de lo representado, de modo que ambas converjan en el estado del Uno. Así, se expondrán en la conclusión las razones que respaldan la traducción de este concepto como la “Línea Vital”.

LEFORT E A RESSIGNIFICAÇÃO DO VÍNCULO ENTRE DIREITOS HUMANOS E DEMOCRACIA

2025-12-23

Martha Gabrielly Coletto Costa

O artigo busca apresentar o lugar e a singularidade da interpretação de Claude Lefort (1924-2010) sobre o vínculo entre direitos humanos e democracia, interpretação gestada no contexto da experiência totalitária e das resistências que ela suscitou ao longo do século XX. Para isso, propomos caracterizar, em linhas gerais, o campo histórico e conceitual em que se move o pensador francês para superar a imagem ideológica dos direitos humanos, tal como denunciada por Marx em Sobre a questão judaica . Do diálogo crítico com Marx, sobressai uma nova chave de leitura da modernidade política, proposta por Lefort não apenas para evidenciar o potencial emancipatório dos direitos humanos, mas também para apontar caminhos de reinvenção das democracias contemporâneas. Por fim, lançaremos a hipótese de que a interpretação lefortiana se baseia na ressignificação do socialismo, não de um ponto de vista puramente teórico, mas sob o impulso dos movimentos de resistência ao dito “socialismo real”, com destaque à Revolução Húngara (1956).

JEAN-PAUL SARTRE E O TEATRO DE SITUAÇÕES

2025-10-02

Cristiano Perius

Este artigo analisa aspectos do teatro de situações tal como Jean-Paul Sartre o apresenta. Diferenciamos a dramaturgia de Sartre do teatro de situações, pois a análise de suas peças exige o exame caso a caso, ao passo que a estética do teatro alcança outros autores e períodos históricos. Para examinar a sua teoria estética se faz necessário ampliar as fontes bibliográficas, analisando as considerações sobre o teatro ao longo de sua obra. Recorremos à coletânea “Um teatro de situações” (organizada por Michel Contat), que faz esse trabalho de reunião temática. A teoria estética de Sartre não pode ser apartada dos conceitos filosóficos, e deve ser vista de forma integrada, sob o risco de dano epistemológico. O teatro deve ser visto a partir do projeto filosófico sartriano e sua contribuição ao existencialismo. É uma forma de engajamento e, assim como outras formas de expressão (literatura, filosofia e crítica literária), manifesta-se como porta-voz da liberdade. A fim de considerar a teoria estética de Sartre sobre o teatro, outros conceitos são necessários, provenientes de “O ser e o nada” (conceito de negatividade), “O idiota da família” (conceito de universal-singular), “O que é a literatura?” (conceito de apelo) e “O imaginário” (conceito de analogon). O final do texto analisa a figura do ator. O teatro exige a identificação do espectador com os personagens. Assim como o ator, caracterizado pelo fenômeno de negação de si e identificação com o outro, o espectador vê-se confrontado com a negatividade da condição humana.

O QUE É DEMOCRACIA DE CIDADÃOS-PROPRIETÁRIOS?

2025-10-02

Julio Tomé

Após a publicação de A Theory of Justice, em 1971, John Rawls costumeiramente passou a ser lido como um defensor de um tipo de capitalismo mais dócil. Contudo, autores como DiQuattro, Krouse e McPherson afirmaram que a teoria rawlsiana não poderia ser vista como uma apologia do regime capitalista. DiQuattro, primeiro, e Krouse e McPherson, depois, afirmaram que Rawls seria um defensor da democracia de cidadãos-proprietários. O próprio Rawls, em trabalhos posteriores, com destaque para a obra Justice as Fairness: A Restatement (publicada em 2001), reconheceu defender a democracia de cidadãos-proprietários. Mas o que seria a democracia de cidadãos-proprietários? O objetivo deste trabalho é justamente apresentar a história do conceito, destacando o fato de ter surgido no berço do partido conservador britânico e posteriormente adentrado as fileiras do partido trabalhista, a partir dos revisionistas. É nesse contexto que se investigará a defesa da democracia de cidadãos-proprietários feita pelo economista James Meade, que Rawls reconhece como sua inspiração. Também se explorarão as diferenças entre o pensamento rawlsiano e aquele defendido por Meade, com especial destaque ao fato de que, na visão do economista britânico, a democracia de cidadãos-proprietários é sustentada como uma alternativa para o capitalismo (i.e., visando uma melhora e uma correção do regime capitalista), enquanto para o filósofo estadunidense ela se apresenta sob a perspectiva de uma alternativa ao capitalismo (no sentido de substituição e superação).

A PROBLEMATIC MEREOLOGICAL ANALYSIS: TRANSITIVITY IMPLIES IDENTITY

2025-09-24

Angelo Briones

In the present research, it is argued that two different mereological theories incur in the problem according to which the transitivity of proper parthood relation implies identity. The mereological theories are: (i) Kathrin Koslicki's theory presented in her work The Structure of Objects (2008) and (ii) the theory according to which Tractarian propositions are analyzed as mereological wholes in the context of Edmund Husserl's theory of wholes and parts. The main objective is to demonstrate that, in formal terms, any mereological analysis that accepts that transitivity implies identity is inconsistent, and also presents certain specific problems that arise for each of the mentioned theories.